Patrocínio começa antes da oportunidade: estratégia, governança e risco orientam a decisão das marcas
- Redação - Patrocinio Brasil

- há 7 horas
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Primeiro módulo da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios, apresentado por Renata Senne, Especialista em Patrocínios e Eventos da Claro, mostrou como estratégia, diretrizes, critérios, orçamento, governança e gestão de riscos estruturam a decisão de investimento de uma empresa patrocinadora.

Renata Senne, especialista em Patrocínios e Eventos da Claro
A decisão de patrocinar um evento, projeto, propriedade ou atleta começa muito antes da assinatura de um contrato ou da ativação chegar ao público. Estratégia, diretrizes, disponibilidade de recursos, aderência à marca, análise de riscos e participação de diferentes áreas da empresa fazem parte de um processo que, na maioria das vezes, permanece longe daquilo que o mercado enxerga.
Essa foi uma das principais mensagens do primeiro módulo da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios, realizada pela Associação Patrocínio Brasil. O conteúdo de Governança e Gestão do Portfólio foi apresentado por Renata Senne, especialista em Patrocínios e Eventos da Claro, e percorreu a jornada que transforma uma oportunidade de mercado em uma decisão efetiva de investimento.
O módulo partiu de uma distinção importante: existe uma grande diferença entre aquilo que o público vê e o trabalho que acontece nos bastidores.
Ativações, experiências, comunicação e exposição de marca são a parte visível do patrocínio. Antes disso, porém, existe uma cadeia formada por estratégia, avaliação, negociação, compliance, jurídico, ESG, aprovações, contratos, planejamento financeiro, governança e gestão de riscos.
Estratégia vem antes da oportunidade
Um dos pontos centrais apresentados durante a aula foi a inversão de uma lógica ainda bastante comum no mercado.
Muitas vezes se imagina que as empresas recebem projetos, escolhem os mais interessantes e, a partir deles, constroem sua estratégia de patrocínio. Nas organizações que possuem uma gestão mais estruturada, o processo tende a acontecer na direção contrária.
Primeiro são estabelecidas questões como:
Que percepção a organização pretende construir para sua marca?
Com quais públicos deseja se relacionar?
Em quais territórios pretende atuar?
Quais objetivos pretende alcançar?
Quais recursos estão disponíveis para esses investimentos?
Somente depois desse trabalho as oportunidades começam a ser analisadas. Essa lógica transforma as diretrizes de patrocínio em um instrumento de gestão. Elas ajudam a definir não apenas aquilo que uma organização pretende patrocinar, mas, principalmente, aquilo que não faz sentido para sua estratégia.
O resultado é uma mudança relevante na qualidade da decisão. Em vez de escolhas sustentadas principalmente por preferências individuais ou pelo entusiasmo diante de uma oportunidade, passam a existir critérios capazes de gerar consistência, comparabilidade e justificativa para as aprovações.
Um bom projeto nem sempre é o projeto certo
Outro aspecto abordado no módulo foi a diferença entre qualidade de uma propriedade e aderência estratégica.
Um projeto pode ter grande visibilidade, forte presença de mídia ou excelentes ativos e ainda assim não ser a melhor escolha para determinada empresa.
O material apresentado organizou a avaliação em quatro grandes dimensões:
Visibilidade
Relacionamento
Impacto Social e ESG
Aderência Estratégica
Cada organização pode atribuir pesos diferentes a esses critérios de acordo com seus objetivos.
Essa lógica ajuda a compreender por que duas propriedades aparentemente muito diferentes podem gerar valores distintos dependendo da estratégia da marca.
Um projeto com enorme exposição pode ser mais relevante quando o objetivo central é visibilidade. Outro, com audiência menor, pode gerar mais valor se proporcionar relacionamento aprofundado com clientes, parceiros ou públicos estratégicos.
Nesse contexto, negociar patrocínio deixa de significar discutir somente preço. A negociação passa a envolver a construção de valor entre interesses que não são necessariamente iguais, mas que precisam encontrar pontos de convergência.
Recursos são finitos
A análise também precisa considerar uma realidade objetiva: empresas trabalham com recursos limitados. Prioridades estratégicas, cenário econômico, desempenho do negócio, revisões orçamentárias e distribuição de recursos entre áreas influenciam diretamente a capacidade de investimento.
Isso explica por que projetos considerados bons podem não avançar. O orçamento pode estar comprometido, determinado território pode já estar contemplado no portfólio, outra oportunidade pode apresentar maior aderência estratégica ou simplesmente aquele não ser o momento adequado para determinado investimento.
Até mesmo os projetos enquadrados em leis de incentivo passam por essa lógica. O benefício fiscal pode facilitar uma decisão, mas não substitui estratégia, análise técnica, disponibilidade de potencial fiscal e aprovação das áreas responsáveis.

Governança não significa burocracia
Se a estratégia determina onde a empresa pretende chegar, a governança estrutura a forma como as decisões são tomadas.
No módulo, governança foi apresentada como o conjunto de processos, critérios e áreas envolvidas que tornam uma decisão mais segura, transparente e alinhada aos objetivos da organização.
E é justamente nesse ponto que aparece uma das imagens mais representativas do conteúdo apresentado por Renata Senne:
Patrocínio é uma decisão multidisciplinar.
Marketing e patrocínios podem analisar estratégia, marca e posicionamento. Comunicação observa reputação e narrativa institucional. Mídia avalia alcance e potencial de amplificação.
Financeiro considera viabilidade e planejamento dos recursos. Jurídico observa contratos e obrigações.
Compliance analisa integridade e conformidade. Sustentabilidade e ESG avaliam impactos sociais e ambientais.
Dependendo da propriedade, áreas de inovação, engenharia e operação também podem participar da decisão.
Nenhuma dessas perspectivas, isoladamente, representa toda a decisão.
A governança é justamente o mecanismo que conecta essas análises e distribui responsabilidades.
Ela não existe para dificultar uma decisão. Existe para dar sustentação a ela.
O patrocínio também transfere riscos
Essa visão multidisciplinar se torna ainda mais importante quando se considera que, ao patrocinar uma propriedade, uma marca também passa a se associar à maneira como ela é realizada.
Problemas de segurança, superlotação, acessibilidade, relações trabalhistas, impactos ambientais ou descumprimento de entregas podem nascer dentro da operação de um evento, mas seus efeitos podem atingir diretamente a reputação das marcas associadas.
Por isso, a avaliação de risco não deve acontecer apenas depois de um problema.
Due diligence, análise de parceiros, contratos, mecanismos de controle e acompanhamento da execução fazem parte da própria gestão do investimento. O material diferencia ainda dois conceitos importantes:
Risco do evento
É o problema relacionado à operação ou à execução, como acidentes, falhas de segurança, superlotação, problemas trabalhistas, impactos ambientais ou descumprimento de entregas.
Risco reputacional
É o impacto que esses problemas podem provocar sobre a percepção da marca patrocinadora, gerando associação negativa, questionamentos de clientes e da sociedade, exposição negativa ou perda de confiança.
O risco pode nascer no evento, mas seus efeitos podem alcançar todas as marcas associadas a ele.
O que existe por trás de um “sim”
Ao final do módulo, a jornada apresentada poderia ser resumida em uma pergunta aparentemente simples:
O que precisa acontecer antes de uma marca dizer “sim” a um patrocínio?
A resposta envolve muito mais do que avaliar uma apresentação comercial. Antes de aprovar um investimento, a empresa precisa ter segurança de que aquele patrocínio:
Faz sentido para sua estratégia
Gera valor para a marca e para o negócio
É viável e responsável
Pode ser defendido e sustentado ao longo do tempo
Essa visão também ajuda quem está do outro lado da mesa. Para propriedades, eventos e projetos que comercializam patrocínios, compreender como as empresas estabelecem diretrizes, distribuem recursos, analisam riscos e aprovam oportunidades permite desenvolver propostas mais aderentes, negociações mais qualificadas e relações mais consistentes com os patrocinadores.
O primeiro módulo da Imersão deixou, portanto, uma síntese importante para o mercado:
O patrocínio que chega ao público é resultado de muitas escolhas que aconteceram antes.
À medida que o setor cresce e passa a ocupar um espaço maior nas estratégias das organizações, conhecer esses processos deixa de ser apenas um diferencial. Passa a fazer parte da formação técnica de quem desenvolve, vende, analisa, administra ou decide investimentos em patrocínio.
O mercado vê a ativação. Mas grande parte do valor, da segurança e da consistência de um patrocínio é construída muito antes dela.
O conteúdo técnico que fundamenta esta matéria foi apresentado por Renata Senne no Módulo 1 da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios. A reprodução dos conceitos e do material foi autorizada para divulgação pela Associação Patrocínio Brasil.




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