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Patrocínio começa antes da oportunidade: estratégia, governança e risco orientam a decisão das marcas

Primeiro módulo da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios, apresentado por Renata Senne, Especialista em Patrocínios e Eventos da Claro, mostrou como estratégia, diretrizes, critérios, orçamento, governança e gestão de riscos estruturam a decisão de investimento de uma empresa patrocinadora.

Renata Senne, especialista em Patrocínios e Eventos da Claro

A decisão de patrocinar um evento, projeto, propriedade ou atleta começa muito antes da assinatura de um contrato ou da ativação chegar ao público. Estratégia, diretrizes, disponibilidade de recursos, aderência à marca, análise de riscos e participação de diferentes áreas da empresa fazem parte de um processo que, na maioria das vezes, permanece longe daquilo que o mercado enxerga.


Essa foi uma das principais mensagens do primeiro módulo da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios, realizada pela Associação Patrocínio Brasil. O conteúdo de Governança e Gestão do Portfólio foi apresentado por Renata Senne, especialista em Patrocínios e Eventos da Claro, e percorreu a jornada que transforma uma oportunidade de mercado em uma decisão efetiva de investimento.


O módulo partiu de uma distinção importante: existe uma grande diferença entre aquilo que o público vê e o trabalho que acontece nos bastidores.


Ativações, experiências, comunicação e exposição de marca são a parte visível do patrocínio. Antes disso, porém, existe uma cadeia formada por estratégia, avaliação, negociação, compliance, jurídico, ESG, aprovações, contratos, planejamento financeiro, governança e gestão de riscos.


Estratégia vem antes da oportunidade


Um dos pontos centrais apresentados durante a aula foi a inversão de uma lógica ainda bastante comum no mercado.


Muitas vezes se imagina que as empresas recebem projetos, escolhem os mais interessantes e, a partir deles, constroem sua estratégia de patrocínio. Nas organizações que possuem uma gestão mais estruturada, o processo tende a acontecer na direção contrária.


Primeiro são estabelecidas questões como:


  • Que percepção a organização pretende construir para sua marca?

  • Com quais públicos deseja se relacionar?

  • Em quais territórios pretende atuar?

  • Quais objetivos pretende alcançar?

  • Quais recursos estão disponíveis para esses investimentos?


Somente depois desse trabalho as oportunidades começam a ser analisadas. Essa lógica transforma as diretrizes de patrocínio em um instrumento de gestão. Elas ajudam a definir não apenas aquilo que uma organização pretende patrocinar, mas, principalmente, aquilo que não faz sentido para sua estratégia.


O resultado é uma mudança relevante na qualidade da decisão. Em vez de escolhas sustentadas principalmente por preferências individuais ou pelo entusiasmo diante de uma oportunidade, passam a existir critérios capazes de gerar consistência, comparabilidade e justificativa para as aprovações.


Um bom projeto nem sempre é o projeto certo


Outro aspecto abordado no módulo foi a diferença entre qualidade de uma propriedade e aderência estratégica.


Um projeto pode ter grande visibilidade, forte presença de mídia ou excelentes ativos e ainda assim não ser a melhor escolha para determinada empresa.


O material apresentado organizou a avaliação em quatro grandes dimensões:


  • Visibilidade

  • Relacionamento

  • Impacto Social e ESG

  • Aderência Estratégica


Cada organização pode atribuir pesos diferentes a esses critérios de acordo com seus objetivos.


Essa lógica ajuda a compreender por que duas propriedades aparentemente muito diferentes podem gerar valores distintos dependendo da estratégia da marca.


Um projeto com enorme exposição pode ser mais relevante quando o objetivo central é visibilidade. Outro, com audiência menor, pode gerar mais valor se proporcionar relacionamento aprofundado com clientes, parceiros ou públicos estratégicos.


Nesse contexto, negociar patrocínio deixa de significar discutir somente preço. A negociação passa a envolver a construção de valor entre interesses que não são necessariamente iguais, mas que precisam encontrar pontos de convergência.


Recursos são finitos


A análise também precisa considerar uma realidade objetiva: empresas trabalham com recursos limitados. Prioridades estratégicas, cenário econômico, desempenho do negócio, revisões orçamentárias e distribuição de recursos entre áreas influenciam diretamente a capacidade de investimento.


Isso explica por que projetos considerados bons podem não avançar. O orçamento pode estar comprometido, determinado território pode já estar contemplado no portfólio, outra oportunidade pode apresentar maior aderência estratégica ou simplesmente aquele não ser o momento adequado para determinado investimento.


Até mesmo os projetos enquadrados em leis de incentivo passam por essa lógica. O benefício fiscal pode facilitar uma decisão, mas não substitui estratégia, análise técnica, disponibilidade de potencial fiscal e aprovação das áreas responsáveis.



Governança não significa burocracia


Se a estratégia determina onde a empresa pretende chegar, a governança estrutura a forma como as decisões são tomadas.


No módulo, governança foi apresentada como o conjunto de processos, critérios e áreas envolvidas que tornam uma decisão mais segura, transparente e alinhada aos objetivos da organização.


E é justamente nesse ponto que aparece uma das imagens mais representativas do conteúdo apresentado por Renata Senne:


Patrocínio é uma decisão multidisciplinar.


Marketing e patrocínios podem analisar estratégia, marca e posicionamento. Comunicação observa reputação e narrativa institucional. Mídia avalia alcance e potencial de amplificação.


Financeiro considera viabilidade e planejamento dos recursos. Jurídico observa contratos e obrigações.


Compliance analisa integridade e conformidade. Sustentabilidade e ESG avaliam impactos sociais e ambientais.


Dependendo da propriedade, áreas de inovação, engenharia e operação também podem participar da decisão.


Nenhuma dessas perspectivas, isoladamente, representa toda a decisão.


A governança é justamente o mecanismo que conecta essas análises e distribui responsabilidades.


Ela não existe para dificultar uma decisão. Existe para dar sustentação a ela.


O patrocínio também transfere riscos


Essa visão multidisciplinar se torna ainda mais importante quando se considera que, ao patrocinar uma propriedade, uma marca também passa a se associar à maneira como ela é realizada.


Problemas de segurança, superlotação, acessibilidade, relações trabalhistas, impactos ambientais ou descumprimento de entregas podem nascer dentro da operação de um evento, mas seus efeitos podem atingir diretamente a reputação das marcas associadas.

Por isso, a avaliação de risco não deve acontecer apenas depois de um problema.


Due diligence, análise de parceiros, contratos, mecanismos de controle e acompanhamento da execução fazem parte da própria gestão do investimento. O material diferencia ainda dois conceitos importantes:


Risco do evento


É o problema relacionado à operação ou à execução, como acidentes, falhas de segurança, superlotação, problemas trabalhistas, impactos ambientais ou descumprimento de entregas.


Risco reputacional


É o impacto que esses problemas podem provocar sobre a percepção da marca patrocinadora, gerando associação negativa, questionamentos de clientes e da sociedade, exposição negativa ou perda de confiança.


O risco pode nascer no evento, mas seus efeitos podem alcançar todas as marcas associadas a ele.


O que existe por trás de um “sim”


Ao final do módulo, a jornada apresentada poderia ser resumida em uma pergunta aparentemente simples:


O que precisa acontecer antes de uma marca dizer “sim” a um patrocínio?


A resposta envolve muito mais do que avaliar uma apresentação comercial. Antes de aprovar um investimento, a empresa precisa ter segurança de que aquele patrocínio:


  • Faz sentido para sua estratégia

  • Gera valor para a marca e para o negócio

  • É viável e responsável

  • Pode ser defendido e sustentado ao longo do tempo


Essa visão também ajuda quem está do outro lado da mesa. Para propriedades, eventos e projetos que comercializam patrocínios, compreender como as empresas estabelecem diretrizes, distribuem recursos, analisam riscos e aprovam oportunidades permite desenvolver propostas mais aderentes, negociações mais qualificadas e relações mais consistentes com os patrocinadores.


O primeiro módulo da Imersão deixou, portanto, uma síntese importante para o mercado:


O patrocínio que chega ao público é resultado de muitas escolhas que aconteceram antes.


À medida que o setor cresce e passa a ocupar um espaço maior nas estratégias das organizações, conhecer esses processos deixa de ser apenas um diferencial. Passa a fazer parte da formação técnica de quem desenvolve, vende, analisa, administra ou decide investimentos em patrocínio.


O mercado vê a ativação. Mas grande parte do valor, da segurança e da consistência de um patrocínio é construída muito antes dela.


O conteúdo técnico que fundamenta esta matéria foi apresentado por Renata Senne no Módulo 1 da Imersão em Gestão e Mensuração de Patrocínios. A reprodução dos conceitos e do material foi autorizada para divulgação pela Associação Patrocínio Brasil. 

 
 
 

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