Do surfe à conversão: como a GWM estrutura seu patrocínio à WSL
- Adauto Gudin

- há 1 dia
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Ao ampliar para o Brasil uma plataforma desenvolvida na Austrália, a montadora conecta eventos, atletas, tecnologia e experimentação para posicionar o Tank 300 e aproximar o patrocínio da jornada comercial.

Foto: Divulgação
A entrada da GWM como patrocinadora da World Surf League no Brasil não representa apenas a associação de uma montadora a uma modalidade esportiva. A parceria revela uma estratégia de construção de marca baseada na escolha de um território capaz de traduzir, de forma prática, os atributos que a empresa pretende comunicar para o GWM Tank 300: aventura, resistência, tecnologia, liberdade e contato com a natureza.
Em 2026, a marca estará presente no Vivo Rio Pro, realizado entre 19 e 27 de junho, em Saquarema, e no Banco do Brasil São Sebastião Pro, previsto para ocorrer de 26 de setembro a 3 de outubro. A GWM também participará da cobertura e de formatos interativos ao longo da temporada da WSL, ampliando o período de relacionamento para além das duas competições realizadas no país.
Do ponto de vista estratégico, a aderência entre produto e propriedade é um dos principais ativos da parceria. O Tank 300 é um SUV 4x4 híbrido plug-in flex, apresentado ao mercado como um veículo voltado a consumidores interessados em desempenho, tecnologia e experiências fora dos ambientes urbanos tradicionais. O surfe oferece um contexto legítimo para demonstrar esse posicionamento sem depender apenas da comunicação publicitária.
A estratégia brasileira é uma extensão de uma plataforma iniciada em 2022 na Austrália, onde a GWM se tornou parceira automotiva oficial da WSL. Desde então, a empresa desenvolveu title sponsorships das etapas, exposição de veículos, conteúdos com atletas e experiências de produto dentro das etapas do circuito.
A atuação internacional ajuda a compreender o potencial do acordo no Brasil. Em etapas australianas, a montadora criou uma experiência de “surfe na areia” alimentada pela tecnologia V2L do Tank 300 híbrido plug-in, que permite utilizar a energia armazenada no veículo para operar equipamentos externos. Nesse caso, uma característica técnica deixou de ser apenas uma informação comercial e passou a integrar a experiência do público.
A ativação também foi conectada à jornada de vendas. Participantes puderam concorrer ao uso temporário de veículos, solicitar test-drives e ser encaminhados para concessionárias. Essa estrutura mostra uma evolução importante na gestão de patrocínios: o investimento não termina na exposição, mas cria pontos de contato capazes de gerar experimentação, dados e oportunidades comerciais.
Outro ativo desenvolvido pela empresa foi a GWM Aussie Treble, premiação destinada aos atletas com o melhor desempenho acumulado nas três etapas australianas do Championship Tour. Em 2026, os brasileiros Gabriel Medina e Luana Silva venceram a disputa e receberam unidades do Tank 300.
A entrega transforma o automóvel em parte da narrativa esportiva. O veículo deixa de funcionar apenas como elemento de exposição na arena e passa a ocupar os papéis de premiação, conteúdo e símbolo de desempenho. A vitória de dois surfistas brasileiros também ajudou a criar uma ponte entre a plataforma construída na Austrália e a expansão da parceria para o Brasil.
No mercado nacional, a presença de Lucas Chumbo como embaixador do Tank 300 acrescenta legitimidade ao posicionamento. Reconhecido internacionalmente pelo surfe de ondas gigantes, o atleta reúne atributos de coragem, preparação, risco e alta performance que apresentam correspondência direta com a proposta do produto.
A escolha de um embaixador inserido de forma autêntica na modalidade reduz o risco de uma associação artificial. Chumbo não funciona apenas como personalidade de campanha, mas como um elemento capaz de demonstrar o uso e a adequação do veículo ao estilo de vida que a GWM busca ocupar.
A parceria também ocorre em um momento de expansão da montadora no Brasil. Presente no mercado nacional desde 2023, a empresa iniciou a produção em Iracemápolis, no interior de São Paulo, e anunciou um plano de investimentos de R$ 10 bilhões até 2032. Nesse contexto, o patrocínio contribui para ampliar conhecimento, construir diferenciação e apresentar o portfólio a novos consumidores.
A análise da plataforma mostra quatro pilares principais: aderência entre produto e propriedade, utilização de atletas como legitimadores, demonstração de tecnologia e integração com a jornada comercial. Quando esses elementos são trabalhados de maneira conjunta, o patrocínio deixa de ser apenas uma compra de visibilidade e passa a funcionar como ferramenta de posicionamento e geração de negócios.

Lucas Coelho (Diretor de Marketing da GWM Brasil), Diego Fernandes (Diretor de Operações da GWM Brasil) e Ivan Martinho (Presidente da WSL América Latina) durante a divulgação do acordo - Foto: Divulgação
O principal desafio no Brasil será transformar a experiência internacional em uma execução adaptada ao comportamento do público local. A presença nas etapas e nos conteúdos da WSL oferece escala e relevância, mas o valor estratégico dependerá da capacidade da GWM de criar ativações proprietárias, integrar concessionárias, gerar experimentação e mensurar os resultados produzidos pela parceria.
Mais do que patrocinar o surfe, a GWM está utilizando a modalidade para explicar quem pretende ser no mercado brasileiro. A força do acordo estará justamente na possibilidade de fazer com que os atributos comunicados pela marca possam ser vistos, experimentados e associados ao produto em situações reais.

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