Pedro Bianco: “Não basta mais apenas expor uma marca; é preciso criar relevância”
- Redação - Patrocinio Brasil

- 2 de jun.
- 5 min de leitura
Presidente da Dançar Marketing fala sobre o reconhecimento no II Prêmio Patrocínio Brasil, o momento do mercado, criatividade, ativação e o futuro dos patrocínios culturais.

1. A Dançar Marketing foi o grande destaque do II Prêmio Patrocínio Brasil, com quatro troféus em diferentes categorias. O que esse reconhecimento representa para a empresa?
Receber quatro troféus em quatro categorias diferentes no II Prêmio Patrocínio Brasil foi uma grande honra para a Dançar Marketing e um reconhecimento ao trabalho que desenvolvemos desde 1982 conectando marcas, cultura, entretenimento e impacto social.
Mais do que premiar projetos específicos, esse resultado valida uma metodologia que aplicamos em toda a nossa operação: criar plataformas relevantes para o público, com propósito, alinhadas aos objetivos estratégicos dos patrocinadores e capazes de gerar valor real para todos os envolvidos.
Os projetos reconhecidos, como o Best of Blues and Rock nas categorias Melhor Patrocínio Musical e Melhor Patrocínio em Mídia, o ArtsSP em Melhor Patrocínio em Artes e Cultura, e o AstraZeneca Viva a Cultura! em Melhor Patrocínio em Sustentabilidade, atuam em territórios distintos, mas compartilham características fundamentais: propósito claro, excelência na execução, forte potencial de relacionamento com públicos qualificados e capacidade de gerar resultados tangíveis para as marcas.
O prêmio também reforça uma percepção que temos observado no mercado: os patrocinadores estão cada vez mais interessados em iniciativas que entreguem experiência, reputação, conexão emocional e legado. Não basta mais apenas expor uma marca; é preciso criar relevância.
Para nossa equipe, esse reconhecimento é motivo de orgulho, mas também de responsabilidade. Ele nos incentiva a continuar inovando, investindo em criatividade, mensuração e experiências capazes de transformar projetos patrocinados em ativos estratégicos para as marcas.

Best of Blues and Rock 2025. Crédito: André Velozo.
2. Como a Dançar Marketing enxerga o atual momento do mercado brasileiro de patrocínios?
Vivemos um dos momentos mais interessantes da história do mercado de patrocínios no Brasil. As marcas passaram a enxergar cultura, música, entretenimento e experiências ao vivo não apenas como ferramentas de visibilidade, mas como plataformas estratégicas de relacionamento e construção de valor.
Ao mesmo tempo, houve uma evolução importante no nível de exigência dos patrocinadores. Hoje as empresas buscam projetos que entreguem propósito, aderência de público, potencial de ativação, geração de conteúdo e indicadores claros de resultado.
Essa mudança é positiva para todo o setor porque estimula a profissionalização do mercado. O patrocinador deixou de comprar apenas exposição e passou a investir em experiências capazes de gerar conexão genuína com seus consumidores.
Outro aspecto importante é o crescimento da demanda por projetos que integrem ESG, impacto social, diversidade, acessibilidade e sustentabilidade de forma autêntica. Esses temas deixaram de ser complementares e passaram a fazer parte da estratégia central de muitas marcas.
Ao mesmo tempo, o mercado ainda enfrenta desafios. A concorrência por recursos é cada vez maior e os projetos precisam demonstrar claramente sua capacidade de gerar retorno. Por isso, mensuração, inteligência de dados e planejamento estratégico se tornaram diferenciais fundamentais.
Acreditamos que os próximos anos serão extremamente promissores para o setor, especialmente para projetos capazes de unir experiência ao vivo, conteúdo, relevância cultural e relacionamento de longo prazo com as comunidades que impactam.

ArtsSP. Crédito: André Velozo.
3. Quando a Dançar Marketing cria ou estrutura um projeto, quais são os principais critérios para torná-lo relevante para marcas patrocinadoras?
Na Dançar Marketing, um projeto não nasce pensando primeiro na venda de patrocínio. Ele nasce a partir da identificação de uma oportunidade cultural, social ou de entretenimento que faça sentido para determinado público. A partir daí, construímos uma plataforma que consiga gerar valor simultaneamente para quatro pilares: público, patrocinador, artista ou conteúdo e sociedade.
Quando avaliamos o potencial patrocinável de um projeto, analisamos fatores como relevância cultural, tamanho e perfil da audiência, capacidade de ativação, geração de conteúdo, potencial de relacionamento e aderência com diferentes segmentos de mercado.
Também buscamos desenvolver propriedades que permitam às marcas participar de forma genuína da experiência. Quanto mais natural for essa integração, maior tende a ser o resultado.
Outro aspecto fundamental é o equilíbrio entre criatividade e viabilidade. Uma ideia só se transforma em um grande projeto quando consegue unir impacto emocional, sustentabilidade financeira e capacidade de execução.
Projetos como o Best of Blues and Rock são bons exemplos desse raciocínio. Além dos shows, construímos uma plataforma cultural com exposições, pocket shows, mostra de filmes e outras ações urbanas, conteúdo e experiências que ampliam significativamente as possibilidades de participação dos patrocinadores. Hoje, mais do que vender cotas, buscamos construir plataformas de valor compartilhado entre marcas e público.

Pedro Bianco, Andrea Bocelli e Matteo Bocelli. Crédito: Luca Rossetti.
4. Como a Dançar Marketing trabalha a ativação dos patrocínios para que a presença das marcas seja efetiva?
Acreditamos que a verdadeira ativação começa muito antes do evento acontecer. Ela deve ser planejada desde a concepção do projeto e não apenas adicionada posteriormente como uma entrega de patrocínio. Por isso, trabalhamos para que as marcas façam parte da experiência de maneira relevante, gerando interação, conteúdo, relacionamento e lembrança positiva.
No Best of Blues and Rock, por exemplo, desenvolvemos ao longo dos anos diferentes formatos de ativação envolvendo experiências exclusivas, hospitalidade, ações de relacionamento, exposições, projeções urbanas, conteúdo digital e iniciativas voltadas ao público presente e à audiência ampliada. Em projetos como o AstraZeneca Viva a Cultura!, a integração da marca acontece por meio do próprio propósito do projeto, conectando cultura, educação, sustentabilidade e impacto social.
Existe uma grande diferença entre estar presente e ser relevante. A simples exposição da logomarca gera visibilidade. Já uma ativação bem planejada gera conexão emocional, experiência memorável e fortalecimento de reputação. Por isso, buscamos sempre desenvolver soluções que ajudem nossos patrocinadores a transformar investimento em relacionamento, criando experiências que façam sentido para as pessoas e reforcem os atributos da marca de forma natural.

AstraZeneca Viva a Cultura!. Crédito: Divulgação.
5. Na visão da Dançar Marketing, qual será o futuro dos patrocínios no Brasil e que tipo de projeto terá mais força daqui para frente?
Acreditamos que o futuro dos patrocínios será cada vez mais orientado por relevância, experiência e propósito. As marcas continuarão investindo em cultura, música e entretenimento porque esses territórios possuem uma capacidade única de gerar conexão emocional. No entanto, os critérios de investimento serão cada vez mais rigorosos. Projetos precisarão demonstrar resultados concretos, capacidade de mensuração, impacto social, alinhamento com valores corporativos e potencial de relacionamento com comunidades específicas.
Também veremos uma integração cada vez maior entre experiências presenciais e conteúdo digital. Os eventos deixarão de ser momentos isolados e passarão a funcionar como plataformas permanentes de comunicação e relacionamento. Outro movimento importante será a valorização de projetos proprietários e de longo prazo. Marcas tendem a buscar associações consistentes e contínuas, capazes de construir relevância ao longo do tempo.
Nesse cenário, os projetos que terão mais força serão aqueles capazes de combinar criatividade, propósito, excelência de execução, dados, impacto positivo e experiências memoráveis para o público. O Brasil possui enorme potencial cultural e criativo. Acreditamos que as marcas que entenderem esse valor e investirem em projetos autênticos terão uma grande oportunidade de construir diferenciação e relevância nos próximos anos.
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Pedro Bianco e Dave Matthews. Crédito: André Velozo.
SOBRE A DANÇAR MARKETING
Desde 1982, a Dançar Marketing é movida pela criação de experiências culturais e de entretenimento que conectam pessoas, marcas e grandes projetos. Ao longo de quase 45 anos, a empresa impactou mais de 53 milhões de pessoas por meio de mais de 2.000 atividades realizadas, incluindo mais de 1.000 gratuitas e mais de 200 shows ao ar livre. Com um portfólio que reúne mais de 35 iniciativas proprietárias e sociais, a empresa já realizou projetos com artistas como Gilberto Gil, Milton Nascimento, Toquinho, Daniela Mercury, Maria Rita, Ivete Sangalo, Andrea Bocelli, Matteo Bocelli, Luciano Pavarotti, George Benson, Joss Stone, Norah Jones, Diana Krall, Seal, Ray Charles, Buddy Guy e B-52’s.


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